Terças de Terror: Dragon Head

Olá, pessoal! Dessa vez não li nada na correria, mas o post está sendo produzido antes que o sono tremendo me alcance! Hoje falarei de Dragon Head, um horror de sobrevivência deveras consagrado entre os fãs do gênero. Já pretendia ler esse mangá faz muito tempo, mas obras que circulam muito na boca do povo não costumam me dar muita vontade de acompanhar mesmo, então a muito custo eu terminei o mangá esse fim de semana e vim falar do que achei.

Informações

Título original: ドラゴンヘッド
Tipo: Mangá
Volumes e capítulos: 89 capítulos, 10 volumes
Status: Completo
Demografia: Seinen
Gêneros: Aventura, horror, mistério, psicológico, tragédia
Mangaká: Mochizuki Minetaro
Ilustração: Mochizuki Minetaro
Ano: 1995
Editora Japonesa: Kodansha
Revista Japonesa: Young Magazine
Link do mangá no Anime-Planet

Sinopse

Em uma viagem escolar, um acidente sinistro acontece e Teru acaba sendo um dos poucos sobreviventes, junto com Nobuo e Ako. Estar preso no túnel do trem com diversos corpos jogados na escuridão já era quase uma sentença de morte, mas os eventos que estão acontecendo na superfície não são nem um pouco melhores.

Resenha

Well, Dragon Head foi produzido e lançado em 1995 no Japão e até ganhou um prêmio da Kodansha na categoria geral em 1997, mas hoje em dia em meio a tantos outros similares, ele pode acabar se perdendo. É necessário olhar além, como sempre falo para todas as leituras, nós precisamos ler com envolvimento, mas sem esquecer de parar e analisar o que essa história nos mostra além do que está bem óbvio e por isso Dragon Head não é nada complexo ou impossível de acontecer um dia, em qualquer lugar. O roteiro trabalha num ritmo frenético, levando o leitor a passear por este mundo apocalíptico, um Japão em ruína total envolto no mistério da origem deste acontecimento e o que está acontecendo com as pouquíssimas pessoas que sobrevivem esses desastres naturais recorrentes, então sim, a mente humana, seus limites e suas buscas instintivas são demonstrados de modo excelente, talvez um pouquinho só exagerado, afinal, ainda estamos lendo uma obra de fantasia, mas no geral ele mostra muitas das coisas que já estamos -infelizmente- cansados de saber: o ser humano vai fazer absolutamente tudo para sobreviver. Existe gente que morre do mais puro medo, gente que vai recorrer a mais pura violência, líderes natos que nascem aqui e lá, nem sempre bonzinhos é claro e aqueles que acreditam até que o isolamento é a chave da sobrevivência, além dos nossos colegas seres humanos que ficam apenas completamente lelés da cacholinha. Se os meus devoradores adorados gostam de ver a exploração sem fim dos limites da mente humana e como ela constrói muros, monstros e barreiras, chegando a limites muito mais extremos do que alguns podem imaginar, então o roteiro de Dragon Head vai ser excitante, um roteiro que explora a escuridão que já habita em todos os seres humanos.

O choque na série não existiu pra mim. Talvez em 1995 o mundo fosse mais pacífico, eu só tinha cinco anos então não saberia dizer, talvez ideias como as demonstradas no mangá fossem aquelas que não te deixam dormir por semanas sem longos pesadelos, mas hoje em dia nós conhecemos bem a natureza humana e os cantos mais nojentos dela, por isso afirmo que a menos que você tenha pouco estômago para esse tipo de coisa, a história não vai te chocar, mas ela não é ruim e nem fraca, é só antiga e mesmo que não os choque, ainda vai causar um impacto, vai te levar a botar a cabecinha pra funcionar e maquinar umas loucuras que talvez você não chegue a dividir com ninguém e talvez você se identifique como uma vítima do medo, seja ele o seu carrasco ou seu jurado inimigo que você precisa derrotar todos os dias ao sair para o trabalho.

Apesar da ideia toda de Dragon Head ser simples, utilizando roteiro e conceitos fáceis de entender e em uma linguagem simples, exigindo talvez uma pesquisa aqui ou ali caso você queira saber o que é o termo Dragon Head e as maneiras que foram aplicadas no mangá (eu fiz a pesquisa pela curiosidade, afinal não machuca e foi interessante). Recomendo pesquisarem durante a leitura ou depois dela, pois se vocês são mais densos para captar a moral da história, pode acabar estragando ela em um tipo de spoiler 😉 Então apesar dessa ideia toda, senti que o ritmo frenético dos acontecimentos, apesar de necessários e bem utilizados, impedem que o leitor se conecte muito com os personagens ou até mesmo os conheça bem, mas essa estranheza e desapego não são de todos ruins. De malucos completos ao mocinho da questão, nem tudo é preto no branco, então a abordagem dos personagens nos acontecimentos vai mexer com seus princípios e te fazer questionar algumas coisas. Já se colocou no lugar de um sobrevivente de tais situações? Esse mangá pode te fazer chegar lá e pensar no que realmente faria e não faria de jeito nenhum.

Agora, o meu descontentamento com a obra fica por aqui apenas na parte de que não me deixou muito curiosa, não me envolveu e nem me chocou de qualquer forma, nem superficialmente e achei isso um pouco triste, pois adoro uma leitura que me pega e me joga lá no fundo dela, para que eu nade entre suas frases e ilustrações. É um bom mangá, não ótimo e nem excelente, muito menos mind blowing, mas um bom mangá e certamente um que inspirou muitos outros do gênero, como o Distant Sky que vocês podem conferir aqui.

O traço é antigo, porém adequado. Nada a reclamar sobre ele já que demonstra bem a loucura, fome, desespero, desconfiança e aquela faísca que é a vontade de sobreviver, então se isso não te espantar da história, saiba que mais tarde vai se tornar um fator bem apaixonante nela, sem falar nas paisagens que são lindamente mórbidas.

E é isso que tenho a dizer sobre Dragon Head, esse mangá gracinha que não achei tão legal e tive que me forçar um pouquinho a terminar, mas ainda assim é uma boa obra. Espero que quem quiser confira e espero que uma hora seja trazida para o Brasil, assim como outros survivals do mesmo tipo.

Vejo vocês outro dia, Devoradores!

 

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